Na imprensa
“Vamos ter oportunidades e as pessoas vão investir”
14.03.2020
Entrevista a Frédéric Puzin, Presidente da Corum

O coronavírus foi “a ignição de uma grande crise financeira”. Mas em Portugal a situação não é tão preocupante como em Espanha.

“O mercado acionista é virtual” e apenas quem investe na economia real vai conseguir resistir à nova crise financeira mundial. O aviso é de Frédéric Puzin, presidente da Corum Investments, que gere fundos num valor global de 3,6 mil milhões de euros. “Penso que uma boa situação, neste momento, é não se ter dívida e estar a investir na economia real. Claro que todos vamos sentir o impacto, mas vai haver um recomeço.”

O Dinheiro Vivo entrevistou Puzin na manhã de um dos piores dias de sempre nas bolsas mundiais. Uma quinta-feira negra. Foi pior do que no início da crise financeira de 2008. “Estamos no limite de um grande crash”, profetizou o presidente da Corum.

A empresa francesa (Corum) investe em imobiliário comercial através dos seus fundos e a renda que recebe dos locatários é distribuída pelos investidores mensalmente, sob a forma de dividendos. O retorno anual dos dois fundos que comercializa em Portugal tem superado os 6%. A Corum investe no mercado imobiliário comercial em 16 países europeus. Começou a comprar imóveis em Portugal em 2012, quando o país estava sob resgate internacional e a viver uma crise profunda. “Sim, adoramos” uma crise, assumiu. “Todos os dias nos preparamos para uma crise. Investimos no longo prazo. Temos de comprar quando tudo crashou, temos de esperar um pouco. Depois há uma recuperação. Em Portugal fizemos isso, esperámos um pouco”.

E dá o exemplo de Itália, um dos países mais afetados pelo surto de coronavírus. “Não tenho nenhum hotel em Itália. Tenho hotéis valiosos na Finlândia, perto do Polo Norte. Comprar hoje um hotel em Itália é uma boa operação: todos querem vender por nada. Pode ser uma boa operação, mas temos de se esperar”.

O mesmo acontece no Reino Unido, que tem registado a saída de investidores devido ao brexit. “Temos investido imenso no Reino Unido”, garantiu. E sugere que a opção é não seguir o comportamento de manada. “Todos pensam a mesma coisa ao mesmo tempo. Quando se tem uma situação como o brexit, temos de sair, é o que pensam.”

Mas Puzin avisa que o ambiente de enormes fluxos de dinheiro disponível vai mudar. “Vai haver muito menos dinheiro e os investidores vão procurar ativos seguros”, alertou.

Bolha em Portugal?

Para Puzin, o surto de coronavírus “foi a chave de ignição de uma grande crise financeira”. E acontece quando o mundo vive um cenário de preços inflacionados em vários tipos de ativos, das ações aos imóveis.

Em Portugal, o mercado imobiliário vive uma era de boom. Puzin acredita que não se trata de uma bolha, mas de preços inflacionados pelo interesse de investidores estrangeiros, sobretudo no segmento residencial. “Penso que Portugal foi talvez um pouco longe. Demasiado dinheiro a entrar no país.” “Se esses investidores tiverem problemas, podem deixar de investir ou mesmo desinvestir”, avisou. “Mas os fundamentais da economia portuguesa estão estáveis. Vão talvez ter um ajustamento.”

Fundos Apostar com cautela e na economia real

A Corum Investments tem vindo a investir em Portugal desde 2012. Investiu mais de 60 milhões de euros em 11 edifícios desde 2014. O seu negócio consiste em arrendar edifícios a grandes empresas e depois paga aos investidores dos fundos sob a forma de dividendos mensais. Entre os seus arrendatários estão o Pingo Doce e o grupo Rumos. A Corum começou a comercializar dois dos seus fundos de investimento imobiliário em Portugal em 2019, ano em que abriu o escritório no país. O retorno anual de cada fundo supera os 6%. Atraiu até hoje 105 investidores em Portugal e um investimento de sete milhões de euros.

 

Fonte: Dinheiro Vivo